As dores crônicas são entendidas como uma experiência desagradável sensorial-emocional associada a um dano tecidual real ou em potencial. Em sua divisão temporal, a dor pode ser classificada como aguda ou até mesmo crônica. A primeira é de curta duração e está relacionada a uma lesão (de caráter repentino e resolutivo) do organismo e tem a função de proteção.

Já a segunda é reconhecida como uma doença em si, prolongada no tempo, normalmente com difícil identificação temporal e/ou causal, que causa sofrimento, podendo manifestar-se com várias características e gerar diversos estádios patológicos, por isso recebe o nome de dor crônica.

É uma dor destrutiva que degrada a qualidade de vida do doente, altera as suas capacidades funcionais, afeta o bem-estar psicológico e espiritual, relações interpessoais, promove o afastamento social e muito mais.

Enfim, a dor crônica pode ser maligna ou não maligna.

Dá uma olhada no que você vai ler por aqui:

Boa leitura!

Para estes doentes, a dor significa uma deficiência física, social e psicológica:

  • Dois terços dos doentes com dor têm menor capacidade ou são incapazes de dormir;
  • Cerca de 60 por cento dos doentes com dor crónica têm menor capacidade ou são incapazes de trabalhar fora das suas casas;
  • A um em cada cinco doentes com dor crónica foi diagnosticada depressão em consequência da sua dor;
  • Até 50 por cento dos doentes com dor crónica referiram uma capacidade reduzida para manter relacionamentos familiares e relações sexuais.

Além do impacto na qualidade de vida dos doentes, a dor crônica é também um fardo financeiro substancial para a sociedade, uma vez que constitui uma das formas de sofrimento de mais elevado custo nos países industrializados.

Um em cada 5 doentes com dor crônica perdeu um emprego em consequência da sua dor.

Caracteriza-se o fato de que pode ou não estar relacionada a uma lesão orgânica, e apresentar uma causa nem sempre evidente ou definida.

Ela pode ser contínua ou recorrente, possui um tempo de permanência superior a 3 meses e frequentemente acarreta mudanças no estilo de vida, tanto no âmbito pessoal, quanto no profissional.

Diferentemente da dor aguda, que tem por finalidade proteção, as dores crônicas não têm uma função fisiológica definida.

 

A persistência de estados dolorosos por longos períodos, pode ser dividida de acordo com sua origem em nociceptiva e neuropática.

A nociceptiva resulta diretamente da ativação dos receptores da dor nos mais diversos tecidos em resposta à uma lesão tecidual acompanhada de inflamação; já a neuropática se relaciona às lesões ou disfunções especificamente do sistema nervoso central ou periférico.

Conheça melhor sobre esses tipos de dores lendo aqui.

Vários pacientes que apresentam dor crônica possuem uma hiperalgesia (sensação aumentada de dor) generalizada e frequente. Esses sintomas ocorrem devido a um fenômeno denominado de sensibilização central.

Esta sensibilização central é consequência do estado prolongado de dor, o qual estimula a produção de neurotransmissores nociceptivos e inibe a produção de opioides endógenos, assim como de neurotransmissores inibitórios. Induz transformações deletérias na percepção das dores.

Fatores demográficos como o sexo feminino, idade avançada, baixa renda, predispõem um maior risco de um indivíduo desenvolver uma dor crônica.

Fatores emocionas intensificam esse desequilíbrio e a deterioração dos sintomas agravam os fatores emocionais, criando um círculo vicioso de crescimento contínuo e exponencial.

Tratamento

O tratamento para dor crônica é complexo, engloba inúmeras variáveis, que são acionadas de modo distinto no contexto de cada paciente. Programas multidisciplinares para combater a plasticidade nociva do SNC, desencadeada pela persistência do sintoma álgico, vêm sendo propostos.

Pode ser dividido entre: medicamentoso e não medicamentoso.

  • O tratamento medicamentoso é realizado a base de antidepressivos, analgésicos opioides ou não opioides, relaxantes musculares e anticonvulsivantes. O uso das medicações é feito continuamente e a longo prazo, podendo causar sintomas colaterais ou abandono do tratamento. Os sintomas de uma maneira geral, são bem controlados, porém em grande parte das vezes, a causa real das dores não é solucionada.
  • O tratamento não medicamentoso é realizado com dietas específicas, exercícios físicos, acupuntura, técnicas da medicina oriental e principalmente a hipnoterapia.

 

Hipnoterapia

A hipnoterapia consiste na aplicação de técnicas hipnóticas como ferramenta terapêutica. É utilizada como auxílio para o tratamento de transtornos emocionais, físicos e psicológicos.

Através da hipnoterapia é possível identificar os eventos que originaram ou provocaram perpetuação dessas dores.

Tais fatos que ficaram armazenados na mente sub consciente conduzem a um desequilíbrio na produção de transmissores como uma forma de proteção, porem nesse caso, ocorre uma sabotagem ocasionada por nossa mente, induzindo aos sintomas.

Ao acessar o subconsciente, as informações são reprogramadas e a partir de então, verifica-se a descentralização, reestabelecendo a produção dos neurotransmissores e opioides endógenos. Essa mudança pode ocorrer de maneira imediata ou progressiva.

Quando as dores crônicas não são completamente eliminadas, provavelmente existe um componente físico. Nesse caso, é possível diminuir muito sua intensidade, modular esses sintomas, proporcionando uma grande melhora na qualidade de vida desses doentes.

Diagnóstico e Acompanhamento

Embora os sintomas álgicos sejam subjetivos, assim como sua intensidade e melhora, atualmente é possível identificar esses fenômenos.

Isso é legitimado por uma ferramenta utilizada por profissionais da saúde capaz de constatar objetivamente esses sinais. Por isso utiliza-se a termografia médica, um instrumento que capta a irradiação infravermelha emitida pelo corpo e propicia um diagrama da distribuição térmica da superfície da pele.

Dessa forma, a termografia pode ser utilizada para investigar uma ampla variedade de condições clínicas e possui uma elevada especificidade e sensibilidade diagnóstica da dor crônica.

Trata-se de um exame indolor, sem necessidade do uso de contrastes, sem emissão de irradiação (pois capta a irradiação e não a emite), completamente inofensivo para o paciente e com resultado instantâneo.

Através desse instrumento, é possível determinar objetivamente a eficiência das técnicas de hipnose aplicadas no controle, tanto das dores agudas e principalmente das dores crônicas.

Os exemplos que ilustram o texto, são imagens captadas imediatamente antes e imediatamente após a sessão de hipnoterapia.

Conheça outros profissionais que utilizam a hipnoterapia no seu dia a dia.

O exemplo 1 mostra a evolução de uma neuralgia do trigêmeo, considerada a terceira pior dor que o ser humano é capaz de sentir, com evolução de três anos sob controle parcial com uso de medicações.

Nota-se o desaparecimento da mancha vermelha no lado esquerdo do rosto, assim como equilíbrio térmico da face.

O exemplo 2 trata-se de uma dor causada por uma compressão nervosa por uma hérnia de disco lombar. Notar o equilíbrio térmico na segunda imagem. Igualmente ao primeiro exemplo, as imagens foram realizadas imediatamente antes e após a sessão.

Em resumo, a hipnoterapia é extremamente eficiente no tratamento das dores crônicas, muitas vezes com efeitos imediatos, sem contra indicações e sem sintomas colaterais.

Ela proporciona alívio imediato de dores crônicas, além de auxiliar de forma progressiva no tratamento de quaisquer outras patologias físicas e psicológicas.

Descubra como a hipnoterapia pode ajudar a tratar a depressão em poucas sessões.

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Artigo produzido em parceria com:

Leonardo Lo Duca
CRM: 109324
Neurologista / Neurocirurgião / Hipnoterapeuta OMNI